ROMAIN ROLLAND | BORGES, J. L.

| domingo, 27 de novembro de 2011
A glória de Rolland parece muito firme. Na República Argentina costumam admirá-lo os admiradores de Joaquín V. González; no mar do Caribe, os de Martí; nos Estados
Unidos, os de Hendrik Willem Van Loon. Na própria França jamais lhe faltará o apoio da Bélgica e da Suíça. Suas virtudes, de resto, são menos literárias que morais,
menos sintáticas que "pan-humanistas", para pronunciar uma das palavras que mais o alegram.
Romain Rolland nasceu em Clamecy, no dia 29 de janeiro de 1866. Em criança resolveu dedicar sua vida à música. Aos vinte anos ingressou na École Normale Supérieure;
aos vinte e três, na Escola Francesa de Roma. Nessa época conheceu as obras de Tolstói, de Wagner e de Shakespeare: os três homens (afirma) que mais influência exerceram
sobre ele. Orsino, seu primeiro ensaio dramático, pretende-se shakespeariano. A Academia Francesa premiou em 1895 sua tese de doutoramen
to: História da Ópera antes de Scarlatti e de Lulli. Em 1899
empreendeu a redação do Ciclo da Revolução, sete dramas independentes que são como sete atos (ou sete cantos) de uma epopéia cênica.
Em 19O4 apareceu o primeiro volume de lean-Christophe. O romance inteiro contou com dez; o herói é uma fusão de Beethoven com o próprio Rolland.
Mais admirável que a obra é o sucesso que alcançou - sucesso íntimo, silencioso e cordial - em todas as nações do mundo. Recordo que por volta de 1917 ainda se repetia:
"JeanChristophe é o santo-e-senha da nova geração".
Romain Rolland, em 1914, recusou a poderosa mitologia que fazia da Alemanha um reino diabólico e das nações aliadas outros tantos anjos agredidos. Em setembro e
outubro daquele ano, publicou uma série de artigos no lournal de Genève.
Esses artigos, reunidos em um breve volume, valeram-lhe em 1915 o prêmio Nobel de Literatura.
A obra de Rolland é numerosa. Além dos livros mencionados, compreende os seguintes: O Teatro do Povo (19O1), Beethoven (19O3), Michelangelo (19O6), Colas Breugnon
(1918), Clerambault (1919), Annette e Sylvie (1922), O Verão (1924), Mahatma Gandhi (1925), Mãe e Filho (1927).

23 de julho de 1937
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